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Tragédia moderna

Descrição

Tragédia Moderna, de Raymond Williams, é uma reflexão profunda sobre a evolução do conceito de tragédia, desde as suas raízes clássicas até às suas manifestações na sociedade e na literatura modernas. O livro analisa como a tragédia não se reduz a morte, sofrimento ou acidente isolado, mas representa um tipo específico de acontecimento e de resposta a ele, enraizado na cultura, na sociedade e nas experiências históricas de cada época. Williams examina a tradição trágica, destacando como esta se transforma ao longo do tempo. Na tragédia grega, intervêm forças como o destino, a necessidade e os deuses; na medieval, surgem forças circunstanciais ligadas a mudanças de prosperidade para adversidade; na Renascença e posterior, ganha contornos seculares, com ênfase no indivíduo, na moral, no comportamento e nas transformações sociais. Ele discute autores e pensadores como Hegel, Schopenhauer, Nietzsche, Lessing e Marx, mostrando como as ideias de ordem, acidente, destruição do herói, ação irreparável e mal se adaptam ao contexto moderno. Uma parte central do livro aborda a tragédia liberal, que emerge com o individualismo moderno e se manifesta em dramaturgos como Ibsen, Strindberg, O’Neill, Tennessee Williams e Miller. Aqui, o conflito trágico centra-se na luta do indivíduo contra a sociedade, nas tensões entre liberdade pessoal e estruturas sociais opressivas, muitas vezes com um foco psicológico mais do que ético ou metafísico. Williams analisa ainda obras de Tchékhov, Pirandello, Beckett, Camus, Sartre e outros, identificando vestígios trágicos na modernidade. O autor argumenta que a tragédia moderna está intimamente ligada às crises sociais, às guerras, revoluções e à profunda desordem da sociedade contemporânea. Recusa a ideia de que a tragédia seria impossível na era moderna, defendendo que o trágico persiste nas contradições da experiência humana coletiva e individual, na culpa, ilusão e nas relações sociais pervertidas. Critica visões que separam o trágico da política ou da sociologia, insistindo na sua conexão com a história e com o desenvolvimento humano. Por fim, Williams explora a rejeição da tragédia, nomeadamente em Brecht, e reflete sobre a relação entre tragédia e revolução, questionando o estatuto do herói e propondo uma visão mais ampla e historicamente situada do fenómeno trágico. O livro defende que a tragédia não é um género fixo, mas uma série de convenções e respostas ao sofrimento que evoluem com as instituições e as crises de cada tempo.

Detalhes

AUTOR:
Raymond Williams
EDITORA:
Edições Cosac & Naify
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
2002
Nº PÁGINAS:
268