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O ultimo voo do flamingo
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Descrição
Pouco tempo depois do fim da guerra civil em Moçambique, na pequena vila fictícia de Tizangara, ocorrem acontecimentos estranhos e inexplicáveis. Soldados da força de paz da ONU, os capacetes azuis, começam a explodir de forma misteriosa, sem que os corpos sejam despedaçados: restam apenas os pénis decepados espalhados pelo chão, enquanto os restantes vestígios, como capacetes, aparecem em lugares improváveis, como o topo das árvores. O italiano Massimo Risi, enviado para investigar estes incidentes, chega à localidade acompanhado por um tradutor local, que serve de narrador da história. Este tradutor, mais tarde acusado de mentir e falsear provas, reconstrói os factos através das vozes e memórias das diferentes personagens da vila. A narrativa desenrola-se num ambiente de realismo fantástico, onde as explicações racionais do investigador europeu se confrontam com as crenças, mitos e tradições ancestrais da população local. Os habitantes de Tizangara interpretam os explosivos através de uma lente mágica e cultural, ligando-os a forças espirituais, a vinganças ou a desequilíbrios provocados pela guerra e pela presença estrangeira. A investigação revela, assim, não só as tensões entre o mundo ocidental e a realidade africana, mas também as feridas profundas deixadas pelo conflito: a miséria, a corrupção local, as contradições do poder e a dificuldade de reconstrução de uma sociedade pós-guerra. Ao longo dos capítulos, Mia Couto tece uma prosa poética e irónica, cheia de neologismos e expressões que misturam o português com a oralidade moçambicana, dando voz a personagens marcadas pela ausência, pela memória colectiva e pela busca de sentido num tempo de transição. O título evoca a lenda do flamingo que anuncia o seu último voo para outra terra, simbolizando talvez a partida, a esperança ou a transformação impossível.
Detalhes
AUTOR:
Mia Couto
EDITORA:
Editora Ndjira
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
2000
Nº PÁGINAS:
225