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O pêndulo de Foucault

Descrição

O Pêndulo de Foucault, de Umberto Eco, é um romance denso e complexo que explora o mundo das sociedades secretas, das teorias conspiratórias e da obsessão pela busca de sentidos ocultos na História. A narrativa, estruturada em dez partes correspondentes aos Sefirot da Cabala, acompanha principalmente três personagens: o narrador Casaubon, Jacopo Belbo e Diotallevi, que trabalham numa pequena editora de Milão (Garamond), ligada também a uma editora de auto publicação. Tudo começa quando os três se deparam com manuscritos de autores obcecados por esoterismo, alquimia, Cavaleiros Templários, Rosa cruzes, Illuminati e outros mistérios. Por tédio e divertimento intelectual, decidem criar “O Plano”: uma grandiosa conspiração fictícia que interliga todos esses elementos numa narrativa coerente e totalizante. Utilizando o computador Abulafia de Belbo, reúnem fragmentos históricos, reinterpretam acontecimentos desde as Cruzadas até à Idade Contemporânea e constroem uma teia que culmina no controlo de correntes telúricas através do Pêndulo de Foucault, no Conservatoire des Arts et Métiers, em Paris. O que começa como um jogo intelectual transforma-se numa obsessão que borra as fronteiras entre ficção e realidade. A trama desenrola-se entre Milão, Paris e até o Brasil, onde Casaubon passa algum tempo. Os personagens confrontam-se com figuras como o coronel Ardenti (que desaparece misteriosamente após apresentar um suposto documento templário) e o enigmático Agliè, que parece encarnar ou fingir ser o imortal conde de Saint-Germain. À medida que “O Plano” ganha vida própria, atrai indivíduos e grupos reais que nele acreditam, levando a consequências trágicas e perigosas. Belbo, Diotallevi e Casaubon veem-se enredados numa rede onde a interpretação excessiva de sinais e a vontade de encontrar um sentido único na História se revelam armadilhas mortais. O romance reflete profundamente sobre temas como o perigo do fanatismo conspiratório, a instabilidade da memória e do conhecimento, a semiótica da interpretação e o risco de acreditar nas próprias construções mentais. O pêndulo, que demonstra a rotação da Terra, serve como símbolo central: um instrumento científico transformado em foco de delírios esotéricos, representando a tensão entre razão e irracionalidade. Com uma prosa erudita, cheia de referências históricas, cabalísticas e literárias, Eco constrói uma sátira inteligente e sombria sobre a humanidade e a sua eterna procura por um “plano” que explique tudo, mostrando como essa busca pode conduzir à loucura e à destruição.

Detalhes

AUTOR:
Umberto Eco
EDITORA:
Edições DIFEL
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1988
Nº PÁGINAS:
563