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O património comum da humanidade
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Descrição
O livro examina a evolução histórica da titularidade internacional dos recursos e bens, contrastando regimes tradicionais baseados na soberania estatal com abordagens comunitaristas emergentes. Pureza traça a transição de noções como a liberdade dos mares ou a soberania territorial para fórmulas que enfatizam interesses partilhados pela humanidade como um todo. Um eixo central é a Declaração Pardo de 1967, que proclamou o leito do mar e o seu subsolo além das jurisdições nacionais como património comum da humanidade. Esta declaração representa uma novidade radical, ao introduzir princípios como a não apropriação, a gestão internacional equitativa, o uso pacífico e a partilha de benefícios, especialmente com os países em desenvolvimento. O autor analisa como este conceito se materializa em regimes jurídicos concretos, nomeadamente na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Pureza explora igualmente a aplicação do conceito ao património cultural e natural, destacando o papel da UNESCO e a ideia de bens que transcendem fronteiras nacionais, pertencendo à humanidade no seu conjunto. Discute-se a tensão entre soberania estatal e obrigações internacionais de proteção e conservação. A obra contextualiza estes desenvolvimentos no quadro mais amplo das relações internacionais e do direito internacional, questionando se o património comum da humanidade anuncia um paradigma de solidariedade global. Pureza avalia o potencial transformador deste conceito face às desigualdades Norte-Sul, à exploração de recursos comuns e à necessidade de uma governação internacional mais inclusiva e equitativa. Em síntese, o livro apresenta o património comum da humanidade não apenas como um regime jurídico específico para certos espaços ou bens (como os fundos marinhos ou sítios culturais de valor universal), mas como um princípio orientador que desafia o individualismo estatal e aponta para um direito internacional mais orientado pela solidariedade e pela responsabilidade coletiva perante as gerações presentes e futuras. A análise combina história, teoria jurídica e perspectivas críticas sobre as limitações e potencialidades deste conceito no final do século XX.
Detalhes
AUTOR:
José Manuel Pureza
EDITORA:
Edições Afrontamento
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1998
Nº PÁGINAS:
307