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O Outro Cabo
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Descrição
O Outro Cabo é uma meditação densa e exigente sobre a Europa como lugar de aporias: entre o universal e o particular, entre a memória e o porvir, entre a identidade e a diferença. Derrida convoca a Europa a reinventar o seu rumo, não como centro dominador, mas como espaço de abertura e de hospitalidade responsável perante o outro e perante si mesma como não idêntica. O livro mantém-se, por isso, como uma referência para pensar as questões da identidade cultural, da globalização e da democracia contemporâneas. Derrida reflete sobre a identidade europeia no contexto da unificação europeia e das transformações geopolíticas do final do século XX, interrogando o sentido de um cabo (cap) que tanto evoca o promontório geográfico como a direção, a liderança ou a orientação. Partindo da imagem tradicional da Europa como cabeça ou cabo da cultura e do pensamento um apêndice avançado face à massa asiática, símbolo de universalidade e de missão civilizacional , o autor questiona esta auto representação e propõe pensar um outro cabo. O livro desconstrói as oposições binárias e os essencialismos que alimentam tanto o eurocentrismo como o anti-eurocentrismo. Derrida argumenta que a identidade europeia não pode ser pensada como uma essência fechada sobre si mesma, idêntica a si própria. Pelo contrário, o próprio de uma cultura e da cultura europeia em particular é não ser idêntica a si mesma: é sempre diferença de si, abertura ao outro e ao porvir. A identidade constrói-se na relação com a alteridade, num duplo genitivo: cultura de si como cultura do outro. Derrida explora esta aporia através de leituras de autores como Paul Valéry, Husserl e Marx, interrogando a memória europeia, as responsabilidades face ao passado e as promessas de um futuro que não se reduza a programas esgotados. Propõe uma Europa que assuma o seu dever não apenas de integrar, mas de reconhecer e acolher a alteridade, abrindo-se a uma história na qual a mudança de rumo, a relação com o outro cabo ou com o outro do cabo, seja vivida como sempre possível. O texto articula, assim, uma reflexão sobre a democracia por vir (démocratie à venir), não como projeto programático ou ideia reguladora certa, mas como estrutura de promessa e de indecidibilidade que mantém aberta a possibilidade do impossível. Critica os perigos do nacionalismo, do racismo e do retorno a formas de egocentrismo que ameaçam a Europa no momento da sua unificação, defendendo uma identidade que se pense para além dos dualismos exaustos e que se oriente pelo respeito à diferença e pela responsabilidade face ao outro.
Detalhes
AUTOR:
Jacques Derrida
EDITORA:
Edições Coimbra (editora)
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1995
Nº PÁGINAS:
162