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O banquete
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Descrição
O Banquete, de Platão, é um diálogo narrado que se desenrola num banquete na casa do poeta trágico Agatão, em Atenas, para celebrar a sua vitória num concurso dramático. O relato é transmitido por Apolodoro a um amigo, baseado no que Aristodemo (companheiro de Sócrates) lhe contou, num banquete ocorrido anos antes. Após o jantar e libações, e com alguns convidados já ausentes ou recuperando-se dos excessos da véspera, decide-se que, em vez de beber em demasia, cada um fará um discurso em louvor de Eros (o Amor). Surge assim uma série de elogios que exploram a natureza, os efeitos e as qualidades deste deus ou força. Fedro inicia, apresentando Eros como um dos deuses mais antigos e poderosos, fonte de grandes bens para os humanos, pois inspira coragem, honra e atos nobres, especialmente no amor entre amantes e amados, promovendo a virtude e até o sacrifício supremo. Pausânias distingue dois tipos de Amor: o vulgar (associado ao corpo e ao prazer imediato) e o celestial (ligado à alma, à educação e à virtude duradoura), defendendo que o verdadeiro amor deve ser guiado pela sabedoria e pela busca do bem, e não meramente pelo desejo físico. Erixímaco, o médico, amplia o tema para além dos humanos: Eros é uma força cósmica de harmonia que atua nos corpos, na natureza e no universo, equilibrando os opostos (como saúde e doença, frio e quente) e promovendo a concórdia em todos os domínios. Aristófanes, o comediógrafo, conta o mito dos seres humanos originais esféricos, divididos por Zeus em duas metades como castigo. Cada pessoa procura agora a sua outra metade para recuperar a completude primordial. O amor surge assim como desejo de união e restauração da natureza original, explicando atrações entre homens, mulheres ou ambos. Agatão, o anfitrião, elogia Eros como o mais jovem, belo, delicado e virtuoso dos deuses, responsável por todos os bens, incluindo a justiça, a temperança e a sabedoria, associando-o à beleza e à felicidade. Sócrates intervém, questionando a abordagem anterior e relatando o que aprendeu com a sacerdotisa Diotima de Mantineia. Eros não é um deus perfeito, mas um daimon intermediário, filho de Penia (Pobreza) e Poros (Recurso), caracterizado pelo desejo do que lhe falta. O amor é desejo do belo e do bom, que visa a posse eterna do bem, conduzindo à imortalidade através da procriação (física ou espiritual). Diotima descreve a ascensão dialética do amor: começa pelos belos corpos, sobe para as belas almas, para as belas instituições e conhecimentos, culminando na contemplação da própria Ideia do Belo, eterna, imutável e fonte de todos os bens. Este é o amor mais elevado, filosófico, que gera virtude verdadeira. Alcibíades chega embriagado e, em vez de elogiar Eros, faz um elogio a Sócrates, descrevendo-o como uma figura ímpar: exteriormente sileno e feio, mas interiormente repleto de sabedoria, coragem e virtude. Compara-o a estátuas de Sileno que escondem deuses no interior, e recorda episódios da sua resistência, moderação e capacidade de fascinar. O banquete termina com a chegada de mais foliões, bebida e, ao amanhecer, Sócrates ainda a discorrer, argumentando que o mesmo autor deve saber compor tragédias e comédias.
Detalhes
AUTOR:
Platão
EDITORA:
Edições 70 (Editor)
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
2006
Nº PÁGINAS:
103