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Einstein e a religião

Descrição

O livro começa por recuperar o contexto da infância de Einstein, nascido numa família judaica não praticante. Aos seis anos, frequentou uma escola católica e recebeu instrução judaica, atravessando uma fase de religiosidade intensa, quase mística, com composição de hinos. Aos doze anos, influenciado por leituras científicas populares (facilitadas por um estudante de medicina que a família acolheu), rejeitou as narrativas bíblicas como literais e abandonou as religiões tradicionais, desenvolvendo uma profunda desconfiança face a qualquer autoridade dogmática. Nunca fez o bar mitzvah nem praticou rituais judaicos ao longo da vida. Jammer reconstrói, passo a passo, o desenvolvimento intelectual que levou Einstein a uma “religião cósmica” ou sentimento religioso cósmico. Rejeitou o Deus pessoal antropomórfico das religiões monoteístas (que premia e castiga), aproximando-se da visão de Espinosa: um Deus que se revela na ordem harmoniosa, nas leis e na beleza inteligível do Universo. Einstein insistiu repetidamente que não era ateu — distinguia claramente a negação de um Deus pessoal do ateísmo —, e via na admiração humilde perante a razão superior que rege o cosmos a essência da verdadeira religiosidade. Frases como “Acredito no Deus de Espinosa, que se revela na ordem harmoniosa daquilo que existe” ou a descrição da experiência do mistério como fonte da arte, da ciência e da religião ilustram esta posição. O autor analisa também os escritos e declarações públicas de Einstein sobre religião e sociedade, incluindo o famoso aforismo “A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega”, que sintetiza a sua visão de complementaridade. Einstein distinguia entre religião dogmática (baseada em autoridade e rituais) e o sentimento religioso cósmico, livre de dogmas e igrejas, que considera o mais elevado. Desenvolveu uma ética humana autónoma, sem necessidade de base divina, e valorizava a crença religiosa tradicional para muitos como preferível ao niilismo, embora não a partilhasse. No último capítulo, Jammer discute as implicações teológicas da teoria da relatividade e da cosmologia einsteiniana, que revolucionaram conceitos de espaço, tempo e universo, despertando interesse entre teólogos e filósofos da religião. O livro evita proselitismo, baseando-se em cartas, artigos, conferências e registos de conversas, apresentando um Einstein profundamente religioso no seu sentido cósmico, mas irreligioso nos termos convencionais.

Detalhes

AUTOR:
Max Jammer
EDITORA:
Edições contraponto
Obs./ Outros dados:
Teologia, Espiritualidade e Doutrina Católica
ANO DA EDIÇÃO:
2000
Nº PÁGINAS:
223