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Dias tranquilos

Descrição

Dias Tranquilos, de Kenzaburo Oe, é um romance narrado na primeira pessoa por Ma-chan, uma jovem de cerca de vinte anos, tranquila e reflexiva. Quando o seu pai, um famoso escritor japonês, decide partir para a Califórnia como escritor-residente numa universidade — numa fase de crise pessoal e de perda de fé —, a mãe acompanha-o. Ma-chan fica então responsável pela gestão da casa e, sobretudo, pelo cuidado do irmão mais velho, Eeyore, que sofre de danos cerebrais graves resultantes de crises epiléticas, mas possui um talento musical invulgar. Há ainda o irmão mais novo, O-chan, que se prepara para os exames de ingresso na universidade. O quotidiano de Ma-chan gira em torno das rotinas práticas e emocionais: levar Eeyore ao centro de trabalho para deficientes, gerir as suas crises, canalizar as suas energias (incluindo impulsos sexuais) de forma adequada e acompanhar o seu desenvolvimento musical junto do casal Shigeto. Eeyore compõe peças, como uma intitulada “Sutego” (órfão), que reflecte o sentimento partilhado de abandono pelos pais ausentes. Ma-chan escreve um diário da vida familiar, em parte para que o pai não esqueça a família, e trabalha na sua tese sobre Céline. A narrativa acompanha os desafios diários, as preocupações de Ma-chan com a segurança e a integração social do irmão, os olhares e troças alheios, e os momentos de tensão, como as aulas de natação com o enigmático Sr. Arai. Este relacionamento introduz perigo e ambiguidade, culminando num confronto onde Eeyore protege a irmã de forma surpreendente e decisiva. O livro explora, de forma íntima e sem dramatismos excessivos, temas como a responsabilidade familiar, o cuidado mútuo entre irmãos (incluindo momentos em que o irmão “deficiente” cuida da irmã), o sacrifício da própria identidade para manter uma vida “tranquila”, o isolamento e a busca por sentido num contexto de ausência parental. Ma-chan sente-se por vezes como um “robô”, submersa nas necessidades dos outros, mas revela uma voz interior forte, marcada por resistências silenciosas (“Hell no!”). Escrito num estilo sugestivo e introspectivo, Dias Tranquilos apresenta um retrato nuançado e humano da vida familiar quando confrontada com a deficiência, o abandono temporário e as pequenas grandes lutas do dia-a-dia, centrando-se nas dinâmicas entre os irmãos e na resiliência discreta de Ma-chan.

Detalhes

AUTOR:
Kenzaburo Oe
EDITORA:
Edições DIFEL
Obs./ Outros dados:
Literatura, Ficção e Poesia
ANO DA EDIÇÃO:
1995
Nº PÁGINAS:
225