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VELHA FRANÇA
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Descrição
Velha França apresenta-se como uma série de esboços naturalistas reunidos num só dia de vida de uma aldeia francesa rural. A unidade da obra advém do percurso do carteiro, figura central que percorre as suas rondas distribuindo correio e, sobretudo, intrometendo-se nas vidas alheias por ganho próprio ou por puro prazer malicioso. Ao longo das paragens da sua rota, o leitor vai conhecendo os habitantes da aldeia: camponeses, comerciantes, o padre (ineficaz mas não corrompido), uma reclusa senil e os professores. Revelam-se mesquinhezes quotidianas, egoísmos, ciúmes, ódios políticos e religiosos, adultérios, incestos e até formas de prostituição, tudo exposto com realismo cru e sem concessões. O tom é marcadamente sarcástico e amargamente satírico — uma verdadeira antipastoral. Longe de qualquer idealização da vida rural, o livro pinta um quadro sombrio da natureza humana, onde a rapacidade, a maldade gratuita e a tendência para a sabotagem das próprias aspirações parecem inerentes ao carácter dos personagens. O autor transmite não tanto ódio, mas uma profunda desesperança perante estes defeitos humanos que levam à divisão, à violência e ao fracasso colectivo. Sem enredo unificado, a obra constrói a sua força na acumulação de pequenos incidentes, intrigas simples e observações precisas que, no conjunto, compõem um retrato impiedoso e desiludido da “velha França” rural, com a sua mediocridade, hipocrisia e dureza moral. É uma obra concisa, de tom cáustico, que contrasta com a amplitude épica de Os Thibault, mas que revela a mesma objectividade documental e a atenção escrupulosa ao detalhe social e psicológico típicas de Roger Martin du Gard.
Detalhes
AUTOR:
Roger Martin du Gard
EDITORA:
Edições Portugália (Portugalia)
TEMÁTICA:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
Nº PÁGINAS:
196