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O mito e naturalmente sempre

Descrição

Uma peça teatral em dois atos que se insere na linha do teatro do absurdo português. A obra explora a tensão entre o mítico e o quotidiano banal, questionando a fronteira entre ilusão e realidade, criação e repetição mecânica da existência. Através de diálogos marcados pelo nonsense, pela repetição e por uma lógica circular, a peça desconstroi situações aparentemente banais, revelando o vazio, a angústia e o absurdo subjacentes à condição humana. Prista Monteiro joga com elementos de artificialidade e transformação (evocando, em certa medida, mitos clássicos de criação como o de Pigmalião, embora sem uma transcrição literal), confrontando as personagens com a impossibilidade de escapar a padrões repetitivos e a uma existência que oscila entre o desejo de sentido e a sua dissolução natural. O tom mistura o cómico e o trágico, típico do absurdo, com personagens presas em rotinas que revelam a fragilidade das construções humanas. A peça, premiada (ex-aequo no Prémio do Círculo de Cultura Teatral / Teatro Experimental do Porto e Prémio Municipal Eça de Queiroz de Teatro), reflete a dramaturgia do autor, que transita entre o nonsense e um realismo crítico, destacando a incomunicabilidade e a repetição como marcas da experiência contemporânea. É uma reflexão sobre como o mito se dissolve (ou persiste de forma grotesca) no "naturalmente sempre" da vida quotidiana.

Detalhes

AUTOR:
Prista Monteiro
EDITORA:
Edições INCM - Imprensa Nacional
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1988
Nº PÁGINAS:
160