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O mito do eterno retorno

Descrição

O Mito do Eterno Retorno, de Mircea Eliade, explora a ontologia arcaica do homem tradicional, centrada na distinção fundamental entre o sagrado e o profano, e na forma como este repele o tempo histórico através da repetição de arquétipos. Para o homem das sociedades arcaicas, uma coisa ou um ato só adquire realidade na medida em que imita ou repete um modelo exemplar — um arquétipo — revelado no tempo mítico, in illo tempore, o momento primordial da criação. Os mitos narram as ações dos deuses ou dos antepassados divinos que fundaram o mundo e estabeleceram os padrões válidos da existência. Ao repetir ritualmente esses gestos primordiais, o homem tradicional projeta-se para fora do tempo profano e linear, abolindo temporariamente a duração e a “história”, e reintegra-se no tempo sagrado, onde tudo possui plenitude ontológica. Eliade ilustra esta concepção através de exemplos de rituais de fundação, de construção de habitações, de casamentos, de curas ou de iniciações, que reproduzem a cosmogonia — o ato divino de criação do Cosmos a partir do Caos. A regeneração periódica do tempo, especialmente no Ano Novo, reatualiza a cosmogonia, expulsando o tempo decorrido e restaurando o mundo à sua pureza original. Assim, o homem arcaico vive num eterno presente mítico, onde a repetição anula o desgaste do tempo e confere significado à existência. Em contraste, o homem moderno assume uma existência histórica, aceitando o tempo linear e irreversível como único quadro da realidade. Esta aceitação traz consigo o “terror da história”: o sofrimento de eventos únicos, irrepetíveis e aparentemente desprovidos de sentido trans-histórico. O livro sublinha como o abandono da ontologia arcaica, com a sua valorização da repetição e da participação no sagrado, marca a passagem para uma visão do mundo onde a história se torna o horizonte principal, muitas vezes angustiante. Eliade não propõe um regresso impossível ao modo arcaico, mas analisa com profundidade esta forma de estar no mundo, fundada na imitação dos arquétipos e na regeneração cíclica do tempo, que dá ao homem tradicional um sentido de realidade e de sacralidade ausente na experiência predominantemente profana e histórica do homem contemporâneo. O texto permanece, assim, uma reflexão sobre o valor ontológico do mito e do ritual na construção da realidade humana.

Detalhes

AUTOR:
Mircea Eliade
EDITORA:
Edições 70
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1978
Nº PÁGINAS:
176