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Inês de Castro episódio extraído do canto terceiro do poema épico Os Lusíadas

Descrição

Após a gloriosa vitória na batalha do Salado, regressado Afonso IV à terra lusitana para gozar da paz, ocorreu o triste e memorável caso de Inês de Castro, a mísera e mesquinha que, depois de morta, viria a ser Rainha. Inês, nobre galega e dama de companhia da princesa Constança (esposa do infante D. Pedro), despertou um amor profundo e irresistível no coração do filho do rei. Este amor, puro e ardente, cresceu secretamente, mesmo após a morte de Constança, e Pedro e Inês viveram como marido e mulher, tendo filhos. O rei Afonso IV, influenciado por conselheiros que viam na união um perigo para a estabilidade do reino (por Inês ser estrangeira e o casamento ameaçar alianças políticas), decidiu pôr fim à relação. Camões invoca o Amor como força cruel e tirana, que tanto obriga os corações humanos e que, com sede insaciável, banha as suas aras em sangue. O rei, crendo que com a morte de Inês extinguiria o fogo daquela paixão, ordena o seu assassinato. Inês é então arrancada do seu retiro e levada perante os algozes. No momento supremo, Inês, com as mãos atadas, levanta os olhos piedosos para o céu e, voltando-os depois para os seus filhos pequenos (cuja orfandade receava), suplica ao avô cruel que tenha piedade deles e dela. Apela à humanidade do rei: que respeite as crianças inocentes, pois não se comove com a morte de uma donzela fraca, sem culpa, que apenas amou quem a venceu. As lágrimas e o discurso comovente quase abrandam o rei, que hesita; porém, os ministros, ferozes e determinados, cumprem a ordem e matam Inês com espadas cruéis. A natureza chora o crime: os rios, as fontes e os bosques lamentam a morte da bela Inês. D. Pedro, quando chega ao trono, vinga-se duramente dos responsáveis, tornando-se um rei justiceiro e rigoroso. O episódio sublinha a força invencível do amor, capaz de transcender a morte — Inês, mesmo assassinada, viria a ser coroada rainha postumamente, desenterrada do sepulcro para receber as honras devidas. Este episódio lírico-amoroso, inserido na narração histórica de Portugal por Vasco da Gama ao rei de Melinde, destaca o poder do sentimento humano face às razões de Estado, com Camões a tecer um retrato dramático e emotivo da tragédia.

Detalhes

AUTOR:
Luís de Camões
EDITORA:
Edições INCM - Imprensa Nacional
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1972
Nº PÁGINAS:
Nenhum detalhe adicional fornecido.