|
De Florença a Nova Iorque
Partilhar este produto
Descrição
Um livro de viagens e crónicas jornalísticas que reúne impressões de uma travessia do Velho Mundo para o Novo, com ênfase nas experiências nos Estados Unidos por volta de 1960. O volume abre com referências a Florença, evocando o berço renascentista da arte e da cultura europeia, antes de se centrar na viagem transatlântica. O autor integra uma caravana de jornalistas europeus convidados pela Air France para o primeiro voo experimental intercontinental de Nova Iorque a Paris (ou vice-versa) num jacto Boeing 707, o «Château de Versailles». Esta experiência serve de porta de entrada para a observação da América moderna. O texto divide-se em cinco partes principais dedicadas aos EUA. Começa com o voo e os primeiros contatos com a América, explorando mitos de perfeição, o fenómeno da solidariedade americana e as impressões iniciais de uma sociedade dinâmica. Segue-se uma secção dedicada à velocidade como palavra-chave da vida americana, com visitas aos laboratórios de pesquisa espacial e aeronáutica em Seattle (coração da Boeing). O autor descreve a genealogia dos aviões, os planos de foguetões experimentais como o Dyna-Soar, pesquisas em medicina espacial e até algas como possível alimento do futuro, misturando admiração tecnológica com reflexões sobre o progresso, o caos e a esperança. Em Chicago, retrata uma “cidade cogumelo” de contrastes: riqueza e risco, excentricidade e pobreza, banalidade e uniformidade. Observa a arquitectura em transformação (arranha-céus de aço e vidro), o ritmo acelerado e as realidades sociais subjacentes. Finaliza com a despedida de Nova Iorque, das luzes da Broadway ao Harlem (“cidade proibida”), confrontando o mito do “americano feliz” com as sombras da desigualdade, da alienação urbana e das tensões raciais e sociais. Ao longo das páginas, Tavares Rodrigues tece notas díspares — muitas com origem em crónicas para o Diário de Lisboa — sobre terras, homens, ciência, arquitetura, encontros e reflexões. O tom mistura entusiasmo pela inovação e pela “performance” americana com um olhar crítico e humanista, questionando se o progresso técnico conduzirá a um mundo mais perfeito ou a novos desequilíbrios. Colombo surge como símbolo: um génio que procurava o Paraíso e encontrou o Novo Mundo, deixando no ar a ideia de que ainda é possível transformar esse mundo em algo melhor. Trata-se de um testemunho vivo da América do início da década de 1960, entre optimismo tecnológico da Guerra Fria, consumismo e contradições sociais.
Detalhes
AUTOR:
Urbano Tavares Rodrigues
EDITORA:
Edições Portugália (Portugalia)
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1963
Nº PÁGINAS:
286