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Alentejo é sangue
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Descrição
Uma coletânea de crónicas e narrativas que mergulha profundamente na essência da região alentejana, pintando-a como uma terra de horizontes vastos, luz intensa e vida marcada pela dureza do trabalho e pela força das gentes. O autor, eborense de raiz, evoca a planície como um ser vivo, quase carnal: o Alentejo corre no sangue dos seus habitantes, alimentado pelo sol escaldante que tinge os horizontes de almagre no verão, pelas searas ondulantes, pelo vento (o suão) que fustiga e molda os corpos e as almas, e pela terra árida que exige suor e resistência. Descreve a paisagem em diferentes momentos — da secura estival à promessa da chuva —, com uma prosa poética que celebra o verde dos almeirões e leitugas, o vermelho das papoilas nos caminhos e o silêncio profundo que convida à reflexão. As crónicas tecem reflexões sobre a realidade económica e social da região, iluminando a vida das gentes humildes — camponeses, pastores, trabalhadores da terra — com os seus ritmos lentos, o sabor das falas, as melodias tradicionais e o instinto afiado perante os elementos. Há lugar para o amor ao silêncio, para o tédio que desperta profecias, para a vagareza das conversas e para a revolta contida contra as “ervas parasitas” que sugam a seiva das vidas simples. O livro é, assim, um testemunho de saudade e de pertença, onde o Alentejo surge não só como espaço geográfico, mas como sangue que pulsa na memória coletiva, nos sonhos e na luta diária. Com estilo simples, direto e por vezes regionalista, sem grandes artifícios, Antunes da Silva oferece uma visão neo-realista da terra que o viu nascer, transformando observações quotidianas e viagens pela região em narrativas que afirmam a dignidade e a heroicidade discreta do povo alentejano. É um livro de poesia em prosa, de amor visceral à planície e às suas gentes.
Detalhes
AUTOR:
Antunes da Silva
EDITORA:
Edições Portugália (Portugalia)
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1966
Nº PÁGINAS:
300