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Agosto azul

Descrição

Uma obra heterogénea e profundamente pessoal, que se apresenta como uma colagem de impressões, memórias, relatos de viagens e reflexões estéticas, com forte pendor memorialista e sensual. O livro evoca com riqueza sensorial o Algarve natal do autor, particularmente a baía de Lagos e Portimão, com descrições vibrantes do mar, do céu e da luz de agosto — o “azul” do título surge como símbolo de um verão intenso, luminoso e quase mítico, onde a natureza se funde com sensações de plenitude e languidez. Teixeira-Gomes pinta paisagens algarvias com um olhar pictórico, atento às cores, às texturas e às atmosferas, desde o brilho do sol poente até à frescura noturna, integrando-as na vivência humana local. Paralelamente, o texto inclui episódios de viagens pela Europa (Itália, Espanha — como Sevilha —, França, Bélgica, entre outros), onde o narrador/autor descreve encontros, impressões artísticas e experiências sensoriais. Há passagens de forte teor estético e erótico, com retratos de figuras femininas (e masculinas) admiradas pela beleza física e pela elegância, frequentemente enquadradas em contextos de luxo, arte e boémia cosmopolita. O autor reflete sobre o prazer, a juventude, o corpo, a arte (música, pintura, arquitetura) e a liberdade individual, num tom decadentista e confessional. A escrita alterna entre narração, cartas (dirigidas a um destinatário amigo ou ao leitor), diário íntimo e crítica estética. Mistura o real e o imaginado, o autobiográfico e o ficcional, sem rigidez de género: recordações de juventude, amores, viagens de negócio (ligadas ao comércio de figos), contemplações da natureza e da sociedade algarvia, e divagações sobre a criação literária e a vida. O estilo é rico, sensorial, com adjetivação exuberante, metáforas ousadas e um ritmo que privilegia a sensação e a imagem sobre a intriga linear. No conjunto, Agosto Azul não segue uma trama convencional, mas constrói um retrato do autor enquanto homem sensível, viajante, esteta e algarvio, celebrando a vitalidade dos sentidos, a beleza do sul e a liberdade da experiência individual contra convenções. É uma obra de juventude (publicada quando o autor rondava os 40 anos), marcada pelo cosmopolitismo, pelo epicurismo e por uma prosa que busca captar o efémero e o sublime do vivido. Em suma, trata-se de um livro de impressões e memórias sensoriais, onde o azul do verão algarvio serve de fundo a reflexões sobre vida, arte, desejo e identidade.

Detalhes

AUTOR:
M. Teixeira Gomes
EDITORA:
Edições Portugália (Portugalia)
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1958
Nº PÁGINAS:
217