|
A inquisição espanhola
Partilhar este produto
Descrição
O livro de Turberville apresenta um estudo equilibrado e documentado sobre a Inquisição Espanhola, distinguindo-a claramente da Inquisição Medieval e analisando o seu papel específico no contexto histórico espanhol. Inicia-se com a comparação entre a Inquisição medieval, de carácter mais eclesiástico e papal, e a versão espanhola, instituída em 1478 pelos Reis Católicos, Fernando e Isabel, com autorização papal mas sob forte controlo da Coroa. Esta nova instituição surge como resposta ao problema religioso da Península Ibérica, marcado pela convivência (e tensões) entre cristãos, judeus e muçulmanos, e pela necessidade de consolidar a unidade religiosa e política após a Reconquista. O foco inicial recaiu sobre os convertidos do judaísmo (conversos ou marranos) e do islamismo (mouriscos), suspeitos de praticar em segredo as suas antigas religiões. O autor detalha a organização, poderes e privilégios do tribunal. A Inquisição espanhola dispunha de uma estrutura centralizada, com o Inquisidor Geral à frente (figura emblemática como Torquemada) e um Conselho Supremo, estendendo-se por vários tribunais locais. Gozava de amplos poderes, incluindo a capacidade de prender, interrogar e confiscar bens, funcionando muitas vezes como instrumento de afirmação do poder real, embora mantendo uma dimensão religiosa. Descreve-se depois o processo inquisitorial e as penas aplicadas. O procedimento envolvia denúncias (muitas vezes anónimas), investigações, interrogatórios, possibilidade de tortura em casos graves e julgamentos que culminavam em sentenças variadas: reconciliação com a Igreja, penitências, prisão, confisco de bens ou, nos casos mais graves de relapsia, a entrega ao braço secular para execução (geralmente na fogueira durante os autos-de-fé). Turberville analisa estes aspectos com rigor, contextualizando-os na mentalidade da época sem exageros sensacionalistas. Capítulos específicos abordam os principais alvos: os mouriscos (convertidos muçulmanos) e marranos (convertidos judeus), os protestantes (perseguidos especialmente no século XVI, durante a Reforma), e os místicos (suspeitos de iluminismo ou desvios doutrinários). O livro explora também as atividades mistas do tribunal, que iam além da pura ortodoxia religiosa e tocavam questões de moral, censura ou controlo social. Por fim, Turberville traça a expansão, decadência e abolição da Inquisição. Esta estendeu-se às colónias espanholas, mas foi perdendo influência ao longo dos séculos XVII e XVIII, reflectindo mudanças políticas e intelectuais. A sua extinção definitiva ocorreu em 1834, após um período de declínio acentuado.
Detalhes
AUTOR:
Turberville
EDITORA:
Edições Portugália (Portugalia)
Obs./ Outros dados:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
Nº PÁGINAS:
190