A escrita da história
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Descrição
Estás a conversar calmamente com o José Mattoso numa esplanada em Lisboa, num fim de tarde de 1988. Ele, com aquela voz serena e profunda, começa a falar-te do que realmente significa escrever história. Não é uma lição seca de universidade. É quase uma confissão. Ele pergunta-te: «Mas afinal, o que é isto da História? Uma ciência? Uma arte? Uma espécie de poesia disfarçada? Ou simplesmente a única maneira que temos de não nos perdermos no caos do tempo?» Mattoso reúne textos que escreveu e falou ao longo dos anos – palestras, reflexões, conversas que lhe saíam do peito. Não vais encontrar aqui receitas prontas para fazer teses, nem discussões técnicas cheias de citações em rodapé. O que vais encontrar é um grande historiador a tentar perceber, em voz alta, o que raio anda ele a fazer há décadas. Ele fala da escrita como quem fala de um ofício delicado e arriscado: como ler as marcas do passado sem as esmagar com os nossos próprios preconceitos, como transformar um monte de documentos mudos numa narrativa que faça sentido, como equilibrar o rigor com a emoção, porque – pasme-se – ele acha que a emoção também conta. Há capítulos que nos levam a pensar no ensino da História (porque ensinar não é despejar factos, é acender luzes), outros que nos mostram como a geografia, a iluminura medieval ou até o milenarismo podem ser chaves inesperadas para compreender o passado. E, no fundo de tudo, uma pergunta que não larga: para que serve mesmo saber o que aconteceu antes de nós?