|
Tratado do conhecimento humano
Partilhar este produto
Descrição
Imagina que estás sentado numa tarde calma, a olhar para uma cadeira à tua frente. Pareces vê-la, tocá-la, até cheirá-la se for de madeira velha. Mas e se eu te disser que essa cadeira não existe de forma alguma como “coisa material” independente de ti? Que ela é apenas um conjunto de ideias na tua mente — cores, formas, texturas — e que, sem alguém a perceber, ela simplesmente não “é”? É mais ou menos por aqui que Jorge Berkeley (ou George Berkeley, como o mundo o conhece) nos leva neste pequeno mas explosivo Tratado do Conhecimento Humano. Com pouco mais de cem páginas, o livro de 1958 das Edições Atlântida (traduzido por Vieira de Almeida) não é um tijolo pesado de filosofia académica. É antes um convite directo, quase conversado, a repensar tudo o que achamos óbvio sobre o mundo que nos rodeia. Berkeley começa por algo simples e radical: todo o nosso conhecimento vem de ideias. Ideias que entram pelos sentidos, ideias que sentimos dentro de nós (como alegria ou dor) e ideias que a memória ou a imaginação misturam. Até aqui, parece o senso comum. Mas depois ele dá o salto: não existe matéria sólida, independente, “lá fora”. Aquilo a que chamamos “objectos” são só colecções de qualidades que só existem enquanto são percebidas. “Ser é ser percebido” — esse est percipi. Se ninguém vê, toca ou pensa numa coisa, ela não tem existência própria. Puf. Desaparece. E então surge a pergunta que deixa qualquer um com os olhos arregalados: mas então como é que o mundo continua a existir quando fechamos os olhos ou saímos da sala? Berkeley tem a resposta mais elegante e provocadora possível: porque há um espírito infinito, Deus, que percebe tudo, sempre, em todo o lado. O mundo não cai no nada porque está constantemente “na mente de Deus”. Ao longo do tratado, ele vai desmontando, com uma lógica afiada mas acessível, as ideias abstractas que tanto complicam a filosofia (aquela história de conceber um triângulo que não é nem equilátero, nem escaleno, nem nada concreto). Ataca o materialismo que, segundo ele, só gera cepticismo e confusão. E defende que o seu imaterialismo, longe de ser loucura, é o que torna o mundo mais coerente, mais próximo do que realmente sentimos no dia a dia.
Detalhes
AUTOR:
Jorge Berkeley
EDITORA:
Edições Atlântida
TEMÁTICA:
Nenhum detalhe adicional fornecido.
ANO DA EDIÇÃO:
1958
Nº PÁGINAS:
101