O arquipélago de sangue
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Descrição
Imagina um mapa do Sudeste Asiático nos anos 60 e 70, mas em vez de ilhas paradisíacas com praias de areia branca, tens um arquipélago feito de sangue, dor e mentiras sistemáticas. É exatamente isso que Chomsky e Herman dissecam sem dó nem piedade: as atrocidades brutais que o Ocidente – sobretudo os Estados Unidos e alguns aliados – apoiou, financiou ou diretamente provocou, tudo embrulhado no bonito discurso da “defesa da democracia” e da “liberdade”. O foco principal cai sobre dois casos que correm em paralelo e que chocam pela semelhança e pela diferença de tratamento mediático. De um lado, o terror do Khmer Vermelho no Camboja, com campos de extermínio, fome organizada e centenas de milhares de mortos – horrores reais, bem documentados e (com razão) condenados em todo o lado. Do outro lado, a invasão e ocupação indonésia de Timor-Leste, com massacres em massa, destruição de aldeias, fome deliberada e um número de vítimas proporcionalmente comparável ou até superior em termos relativos. A diferença? Enquanto o Camboja comunista era notícia diária e símbolo do Mal Absoluto, Timor era convenientemente silenciado, minimizado ou até justificado nos media ocidentais e nos discursos oficiais. Os autores mostram, com factos, números, citações de documentos oficiais e relatórios que quase ninguém queria ver, como funciona essa seletividade criminosa: as vítimas “dignas” (as causadas por inimigos oficiais) ganham manchetes, lágrimas de crocodilo e indignação mundial; as vítimas “indignas” (as provocadas por regimes apoiados pelo Ocidente) são ignoradas, disfarçadas de “excessos lamentáveis” ou simplesmente apagadas do mapa informativo. Não é um texto cheio de sentimentalismos nem de teoria abstracta. É cru, directo, quase jornalístico no melhor sentido: aqui estão os números de mortos, ali as declarações de embaixadores americanos a elogiar os generais assassinos, acolá as armas e o dinheiro que continuaram a fluir mesmo quando os corpos já se acumulavam às valas.