Defesa do Realismo
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Descrição
Defesa do Realismo, do argentino Héctor P. Agosti, é daqueles livros que batem com força desproporcional ao tamanho. Escrito num momento em que muita gente na arte e na literatura andava fascinada por experiências abstractas, formas que se bastavam a si próprias e fugiam do mundo concreto, Agosti entra em cena com uma defesa apaixonada, quase militante, do realismo como caminho vivo e necessário. Não é uma defesa saudosista do realismo do século XIX, daqueles retratos fiéis e bonitinhos da realidade. Longe disso. Ele quer um realismo vivo, humano, antropocêntrico no melhor sentido: o homem (e a mulher, claro) de novo no centro do mundo, mas não como vaidade, sim como medida real das coisas, das contradições, das lutas. Agosti discute como a arte não pode virar jogo de espelhos fechado sobre si mesmo, nem fuga para um qualquer paraíso formal. Para ele, a grande arte tem de enfrentar a realidade, captá-la no seu movimento, nas suas tensões, na sua capacidade de transformação. E faz isso com argumentos que misturam estética, filosofia e uma visão bem clara de compromisso com o mundo tal como ele é (e como pode deixar de ser). O tom é direto, às vezes combativo, mas nunca pedante. Lê-se com prazer, como quem ouve alguém muito convencido (e com boas razões) a explicar por que razão não vale a pena desistir de olhar para a cara feia e bonita da vida ao mesmo tempo. Se alguma vez te perguntaste porque é que, em certas épocas, tantos artistas e escritores parecem ter “virado as costas” ao que se passa na rua, na fábrica, nas relações de poder… e se sentiste falta de uma resposta lúcida e sem rodeios, este livrinho de 1971 (na edição portuguesa da Razão Actual) continua surpreendentemente actual. É uma espécie de manifesto discreto, mas com nervo, a favor de uma arte que não tem medo da realidade nem da sua complexidade.