A Filosofia em Reconstrução
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Descrição
Imagine que estás a conversar com alguém que, depois de ver o mundo quase destruir-se na Primeira Guerra Mundial, se recusa a aceitar que a filosofia continue a ser um exercício bonito mas inútil de contemplar verdades eternas lá no alto, longe da confusão da vida real. É exatamente esse o espírito que atravessa A Filosofia em Reconstrução, de John Dewey. Dewey pega na filosofia tradicional — aquela que durante séculos nos habituou a pensar em realidades absolutas, ideais perfeitos, essências imutáveis, coisas que existem “lá em cima” enquanto cá em baixo tudo muda, falha e sofre — e diz, com uma calma quase provocadora: “E se déssemos a volta a isto tudo?”. Ele mostra como essas grandes construções filosóficas nasceram muitas vezes não de pura razão, mas de desejos humanos muito concretos: medo do caos, necessidade de segurança, vontade de justificar certos modos de vida. Depois, com a ciência moderna, com a técnica, com as transformações sociais brutais do século XX, esse modelo antigo ficou a fazer figura triste. A ciência avança por tentativa e erro, experimenta, corrige, não pretende verdades finais. Então por que raio é que a filosofia haveria de continuar agarrada a um pedestal que já ninguém respeita? Dewey propõe uma reconstrução radical: a filosofia deve deixar de ser uma busca de “o que é realmente real” para se transformar num instrumento vivo, inteligente e corajoso de melhorar a experiência humana. Em vez de fugir do conflito entre o ideal e o real, entre o desejo e o facto, entre o indivíduo e a sociedade, a filosofia passa a ser o espaço onde esses conflitos se enfrentam, se analisam e se reconstroem de forma mais inteligente, mais democrática, mais humana. É um convite a olhar para a inteligência não como algo que descobre verdades eternas, mas como a ferramenta mais poderosa que temos para reorganizar a vida social, os valores morais, as instituições, a própria forma como pensamos o conhecimento. Tudo isso sem grandes mistérios, sem linguagem cifrada, mas com os pés bem assentes na experiência concreta do dia a dia.