|

Tao te king

Descrição

O livro inicia-se com a afirmação de que o Tao que pode ser nomeado ou expresso não é o Tao eterno e verdadeiro. Este é o mistério supremo, anterior ao Céu e à Terra, origem de todas as coisas, que opera de forma invisível e inesgotável, como um vazio que gera o ser sem nunca se esgotar. Tudo surge da unidade indiferenciada, e o Tao move-se em ciclos naturais, regressando sempre à sua fonte. A virtude (Te) manifesta-se como expressão natural do Tao no mundo. Não se trata de uma moral imposta, mas de uma qualidade intrínseca que surge quando se vive em harmonia com o fluxo do universo. O sábio (ou homem santo) encarna esta virtude através do wu wei — o não agir ou agir sem esforço —, que consiste em seguir o curso natural das coisas, sem imposição, controlo ou intervenção desnecessária. Ao contrário da ação forçada, que gera resistência e desordem, o não agir permite que as coisas se realizem por si mesmas, com eficácia e simplicidade. O texto contrasta constantemente os opostos (ser e não-ser, duro e mole, alto e baixo), mostrando como eles se interdependem e se transformam um no outro. A água serve de imagem recorrente: suave e maleável, vence o que é rígido precisamente por não resistir. Da mesma forma, o sábio se coloca em posição inferior para ser elevado, esvazia-se para se encher, e permanece na simplicidade para alcançar a plenitude. A humildade, a moderação e o retorno ao estado natural são valorizados, enquanto o excesso, a ostentação e a ambição desmedida conduzem ao desequilíbrio. No plano da governação, Lao Tse defende que o bom governante governa o menos possível, sem leis excessivas nem intervenções constantes, permitindo que o povo viva em paz e espontaneidade. Os exércitos e as guerras são vistos como males necessários apenas em último recurso, e o luxo, as armas e as complicações artificiais afastam os homens do Tao. O ideal é uma sociedade simples, onde as pessoas vivam próximas da natureza, contentes com o essencial, sem grande desejo de progresso ou distinções. Ao longo dos capítulos, o livro convida repetidamente ao regresso: regresso à origem, ao vazio, à espontaneidade da criança, à quietude. O sábio conhece sem percorrer, realiza sem agir e possui sem reter. Vive em harmonia com o Tao, aceitando as mudanças como parte do ciclo natural, e assim alcança uma serenidade duradoura, livre das vicissitudes do desejo e do ego. Em suma, o Tao Te King apresenta uma visão do universo como processo orgânico e harmónico, onde a verdadeira sabedoria reside na alinhamento com o princípio invisível que tudo permeia, cultivando a virtude através da simplicidade, da não ação e do respeito pelo fluxo natural das coisas. Esta é a essência intemporal da obra, expressa em linguagem poética e paradoxal que desafia a compreensão racional direta.

Detalhes

AUTOR:
Lao Tse
EDITORA:
Edições estampa
Obs./ Outros dados:
No additional details provided.
ANO DA EDIÇÃO:
1973
Nº PÁGINAS:
96