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Restauração do poder marítimo de Portugal
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Descrição
No seu opúsculo de cerca de 97 páginas, publicado pela Livraria António Maria Pereira em 1894, o Comandante António Arthur Baldaque da Silva faz um diagnóstico urgente da decadência do poder marítimo português e propõe caminhos para a sua restauração. O autor, profundo conhecedor dos assuntos do mar, da hidrografia e das pescas, parte de uma constatação clara: Portugal, outrora senhor dos mares e construtor de um império global graças à sua marinha, vivia então numa situação de dependência e fraqueza marítima que comprometia a sua soberania económica e política. Baldaque da Silva critica a ausência de um plano orgânico e contínuo para os interesses marítimos nacionais. Defende que estes careciam, desde longa data, de uma orientação racional, moldada sobre bases úteis e genuinamente nacionais, que fosse seguida pelos poderes políticos para além das alternâncias partidárias. Sem esse plano coerente, os esforços eram dispersos, ineficazes e sujeitos a interrupções. Um dos eixos centrais do livro é a marinha mercante. O autor sublinha a sua fraqueza extrema: Portugal praticamente não possuía frota própria, o que obrigava a pagar a estrangeiros o transporte da quase totalidade das importações e exportações. Esta dependência representava não só um custo económico elevado, mas também uma forma de exploração e de marginalização no convívio internacional. Possuir uma marinha mercante forte era, para Baldaque, um acto simultâneo de política e de economia, essencial à independência nacional. O desenvolvimento dos portos surge como outro pilar indispensável. O autor enfatiza a necessidade de os melhorar e modernizar, tornando-os eficientes em termos de calado, armazéns, operações de carga e descarga e taxas, de modo a atrair tráfego e reduzir a dependência externa. Os portos são vistos como elos fundamentais da cadeia económica, cuja capacidade condiciona o sucesso do comércio marítimo. Baldaque da Silva liga ainda estes temas à valorização dos recursos do mar, nomeadamente às pescas (área que já havia estudado em obras anteriores), à construção naval e à formação de quadros. O seu apelo é patriótico e pragmático: a restauração do poder marítimo não era apenas uma questão técnica ou militar, mas um desígnio nacional que envolvia economia, estratégia, educação e vontade política sustentada. Só através de uma visão integrada e persistente Portugal poderia recuperar a sua vocação marítima e afirmar-se novamente como nação oceânica. Em suma, o livro é um manifesto reformador, conciso e directo, que diagnostica males estruturais (falta de plano, fraqueza da frota mercante, portos inadequados, dependência externa) e advoga medidas concretas de regeneração marítima, enquadradas num contexto de preocupação com o atraso económico e a perda de influência de Portugal no final do século XIX. A sua influência reflecte-se em debates posteriores sobre política naval, portuária e económica.
Detalhes
AUTOR:
A. A. Baldaque da Silva
EDITORA:
Livraria António Maria Pereira
Obs./ Outros dados:
No additional details provided.
ANO DA EDIÇÃO:
1894
Nº PÁGINAS:
97
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