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Pascal filósofo cristão
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Descrição
O livro de Eduardo Abranches de Soveral, é uma leitura atenta e crítica dos textos pascalianos (notadamente os Pensamentos), que reconstrói de forma coerente uma filosofia centrada na antropologia paradoxal e na primazia da ordem do coração, sempre enraizada na visão cristã da existência. Constitui uma referência na bibliografia filosófica portuguesa sobre Pascal, combinando rigor expositivo, erudição e uma interpretação que valoriza a integração entre razão e fé. O livro apresenta uma exposição crítica e sistemática do pensamento de Blaise Pascal, afirmando-o como um filósofo autenticamente cristão. Divide-se essencialmente em duas grandes partes: uma biográfica e contextual, e outra dedicada à análise filosófica rigorosa. Na primeira parte, o autor oferece uma introdução acessível à vida e personalidade de Pascal, apoiada numa documentação sólida e nas investigações francesas mais recentes da época. Descreve o percurso intelectual e espiritual do pensador francês, inserindo-o no ambiente religioso do seu tempo, nomeadamente as influências jansenistas e a figura de Saint-Cyran, ainda que de forma relativamente concisa nesta secção. A segunda parte, mais substancial, constrói o que Soveral considera a filosofia pascaliana, destacando a sua gnosiologia (teoria do conhecimento) e antropologia. Pascal surge aqui como um pensador que resiste às simplificações cartesianas: recusa reduzir a física à mera geometria e mantém a heterogeneidade radical entre corpo e alma, num bi-substancialismo de tipo mecanicista. Esta visão preserva uma tensão interior profunda, mais alinhada com a experiência cristã do que o racionalismo cartesiano. Soveral analisa a condição humana pascaliana no seu paradoxo central: a grandeza e a miséria do homem. O ser humano revela-se simultaneamente elevado (pela capacidade de pensar e conhecer a sua miséria) e miserável (pela fragilidade, pela diversão que o distrai da realidade e pela finitude). A razão revela os seus limites face ao infinitamente grande e ao infinitamente pequeno, e o coração (intuição, ordem do amor e da fé) assume um papel primordial que a razão pura não consegue substituir «o coração tem razões que a razão desconhece». A obra sublinha a dimensão apologética de Pascal: a sua filosofia não é autónoma, mas serve a defesa do cristianismo, integrando a fé como complemento necessário à razão limitada. Soveral destaca a originalidade pascaliana face ao cartesianismo dominante, apresentando uma filosofia cristã que assume plenamente o déchirement (dilaceramento) interior do homem e a necessidade da graça.
Detalhes
AUTOR:
Eduardo Soveral
EDITORA:
Edições Tavares Martins
Obs./ Outros dados:
No additional details provided.
ANO DA EDIÇÃO:
1964
Nº PÁGINAS:
295