Os selvagens do occidente
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Description
Imagina uma Lisboa fin-de-siècle, ainda com o cheiro dos candeeiros a gás, as carruagens a trote, onde a sociedade finge ser toda ela muito civilizada, muito de moral e regras... mas por baixo da casca polida fervilham desejos que ninguém tem coragem de nomear em voz alta. É exatamente nesse mundo que Alfredo Gallis nos leva em Os selvagens do Ocidente (1890). Num tom naturalista bem ao gosto da época, ele despe sem dó nem piedade a hipocrisia da burguesia e da aristocracia lisboeta. Aqui os “selvagens” não estão na selva distante nem nas colónias — estão mesmo ao nosso lado: nos salões, nos teatros, nos boudoirs, nos escritórios e até nos confessionários. O livro é uma galeria de personagens que, mal a luz pública se apaga, largam a máscara e mostram a fera que trazem lá dentro. Paixões proibidas, adultérios que se planeiam como operações militares, vinganças que se cozem em lume brando, ambições que pisam tudo e todos, e uma sensualidade que o autor descreve sem rodeios nem véus pudicos — coisa rara e escandalosa para a época. Gallis escreve com pena afiada, cheia de ironia e de um certo deleite malicioso. Lê-se quase como quem ouve uma pessoa muito bem relacionada contar, ao ouvido e entre goles de absinto, os segredos mais suculentos da cidade. É picante, é cru, é por vezes cruel...