O Tartufo
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Description
Uma casa burguesa em Paris, no século XVII, onde tudo corre bem… até aparecer Tartufo. Este tipo surge como um santo ambulante: olhos baixos, fala mansa, citações da Bíblia na ponta da língua, grande exibicionismo de virtude. Orgon, o dono da casa, fica completamente encantado. Para ele, Tartufo é a pessoa mais pura e santa que já pisou na Terra. Tanto que o instala em casa, lhe dá ouvidos para tudo, defende-o contra a família inteira e até decide casar a filha com ele e fazer testamento a seu favor. Sim, leste bem. O resto da família? Em choque total. A mulher de Orgon (Elmire), o filho, a filha, o cunhado, a empregada Dorine (especialmente ela, que não leva desaforo para casa)… todos veem claramente que o homem é um hipócrita de primeira, um vigarista que usa a capa da religião para encher a barriga, meter dinheiro no bolso e, se possível, meter-se na cama da patroa. E o que torna tudo tão bom é ver o contraste brutal: enquanto Tartufo finge que mal consegue olhar para uma mulher sem corar, nas costas de Orgon tenta seduzi-la com as manhas mais descaradas. E Orgon? Cego, surdo e estúpido de tão fanatizado. Cada cena em que alguém tenta abrir-lhe os olhos é uma pequena obra-prima de comédia — e de frustração para quem está a ver. Molière escreveu isto em 1664 e armou tal sarilho que a peça foi proibida durante anos (a Igreja e os devotos ficaram furiosos). Mas o texto sobreviveu, e sobrevive tão vivo que ainda hoje se usa a palavra "tartufo" para falar de qualquer pessoa que faz pose de santo enquanto é tudo menos isso.