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O governo de si mesmo

Descrição

Na introdução, Eymieu afirma que o coração (a sensibilidade e os impulsos) não é culpado dos males que provoca, mas sim a razão que o deve dirigir, à semelhança de um maquinista que governa uma máquina a vapor. Não se deve recear ter “demasiado coração” (força vital), mas sim orientá-lo corretamente. A vida merece o esforço e o autodomínio é possível mediante um método consciente e aplicado. Primeira grande lei: governar-se pelas ideias. As ideias exercem um poder efetivo sobre o estado mental e emocional. O autor ilustra este mecanismo com exemplos extraídos da vida normal, da histeria, do nervosismo e de fenómenos como a catalepsia, demonstrando como as representações mentais influenciam o comportamento. Explica as condições de eficácia (medida, direção) e as anomalias. Propõe aplicações práticas: escolher boas leituras, evitar certas diversões, combater a preguiça e a devaneio excessivo, selecionar amizades e ambientes favoráveis, tomar resoluções firmes, utilizar o “choque emocional” positivo e identificar o “ponto estratégico” de cada situação para atuar com inteligência. Segunda grande lei: governar-se pelos atos. Os atos repetidos moldam o interior do homem. Baseando-se em observações de consciências normais e anormais, Eymieu mostra como a ação repetida pode modificar tendências, simpatias excessivas, antipatias, melancolia ou estados de espírito negativos. Analisa as condições do sucesso (persistência, método) e responde a objecções comuns, defendendo que atuar contra as inclinações enfraquece os maus impulsos e fortalece a vontade. Terceira grande lei: governar-se pelos sentimentos. Aborda as paixões: a sua natureza, a origem da sua força e o modo de recuperar a liberdade perante elas. Distingue paixões boas (orientadas para um ideal elevado) e más (que escravizam). A solução reside na escolha deliberada de um ideal nobre que oriente e purifique a afetividade. Ao longo da obra, Eymieu recorre a exemplos clínicos, observações quotidianas e conhecimentos psicológicos da época, sempre com linguagem acessível e finalidade prática. A conclusão reforça o optimismo realista: o homem não é um autómato dominado apenas por instintos ou hábitos; pela razão iluminada pela moral cristã, pode dirigir as suas forças interiores para fins superiores, alcançando maturidade, equilíbrio e verdadeira felicidade.

Detalhes

AUTOR:
Antonino Eymieu
EDITORA:
Edições Braga (editora)
Obs./ Outros dados:
No additional details provided.
ANO DA EDIÇÃO:
1948
Nº PÁGINAS:
360