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Da utilidade e inconvenientes da história para a vida

Descrição

Imagina que estás a viver numa época em que toda a gente parece obcecada pelo passado. Livros de história por todo o lado, museus cheios, discussões eternas sobre o que “realmente aconteceu”, monumentos a cada esquina… e, no meio disto tudo, tu perguntas-te: «Mas afinal, isto ajuda-me a viver melhor ou só me está a esmagar?» É exatamente esta a pergunta radical que o jovem Nietzsche atira à cara da cultura do seu tempo (e, vamos ser sinceros, à nossa também) neste livrinho curto, intenso e desconcertante: Da utilidade e inconvenientes da história para a vida. Ele começa por observar uma coisa simples e brutal: o ser humano é o único animal que carrega o peso da memória. Os animais vivem no presente puro, esquecem-se, recomeçam. Nós? Nós arrastamos séculos de lembranças, datas, heróis, derrotas, erros… E isso pode ser uma força tremenda. Ou um veneno lento. Nietzsche mostra três maneiras como normalmente usamos (ou abusamos) da história: A monumental — aquela que transforma o passado em estátua gigante de heróis intocáveis. Dá-nos inspiração… até nos deixar com a sensação de que tudo o que vale a pena já foi feito. A antiquária — o amorzinho pelo antigo, pelo pormenor, pela relíquia. Acaba por nos transformar em colecionadores nostálgicos que têm medo de largar o que já foi. A crítica — a mais destrutiva de todas: julgar o passado inteiro como uma sucessão de erros e injustiças. Liberta-nos… mas também pode deixar-nos sem chão, sem nada em que acreditar. E depois vem o murro no estômago: Ter demasiada história (como a nossa época moderna adora ter) enfraquece a vida. Paralisamo-nos a analisar, a comparar, a querer ser “objetivos”… e esquecemo-nos de criar, de agir, de viver com força e com instinto. Mas o mais fascinante é que Nietzsche não está a pedir para queimarmos os livros de história nem para vivermos como amnésicos felizes. Ele quer equilíbrio. Quer que a história sirva à vida, e não o contrário. Quer que saibamos esquecer quando é preciso, que usemos o passado como trampolim e não como âncora, que tenhamos coragem para dizer “eu sou mais do que tudo o que veio antes de mim”.

Detalhes

AUTOR:
Friedrich Nietzsche
EDITORA:
Edições Livrolândia
Obs./ Outros dados:
Filosofia e Pensamento
ANO DA EDIÇÃO:
No additional details provided.
Nº PÁGINAS:
122