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As vozes que clamam no deserto

Descrição

Trata-se de um conjunto de notas e recordações de África, escritas durante a experiência militar do autor no deserto, que constituem uma reflexão profunda e fragmentada sobre a paisagem, a vida no exército colonial francês e, sobretudo, a jornada interior da alma. Psichari descreve o contacto intenso com a terra árida e imensa do deserto, onde a natureza austera e grandiosa atua como espelho e catalisador de uma busca espiritual. As “vozes” que clamam representam o chamamento interior que surge no silêncio e na solidão do areal, num diálogo entre o homem, a criação e Deus. A obra revela o confronto com valores morais profundos, a disciplina militar, a convivência com os povos locais (como os mauritanos) e a percepção da força e da simplicidade das realidades primitivas. Ao longo das páginas, o neto de Ernest Renan narra a sua própria crise existencial e o progressivo apaziguamento na fé católica. É um grito de angústia e de sede de absoluto que se vai transformando em serenidade e adesão à verdade religiosa, longe das certezas racionalistas e cépticas da sua educação. A ação militar e as peripécias do dia-a-dia no deserto entrelaçam-se constantemente com a contemplação e a meditação sobre o sentido da vida, a ordem, a autoridade e a graça. O livro apresenta-se como uma confissão pessoal e um testemunho de conversão, marcado pela humildade e pela intensidade mística que o deserto inspira. As vozes que clamam não são apenas as do autor, mas as da própria alma humana que, no isolamento e na provação, descobre o apelo divino.

Detalhes

AUTOR:
Ernesto Psichari
EDITORA:
Edições Coimbra (editora)
Obs./ Outros dados:
Teologia, Espiritualidade e Doutrina Católica
ANO DA EDIÇÃO:
1950
Nº PÁGINAS:
216